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A palavra “vício”, em inglês “addiction”, tem suas raízes na palavra latina “addictus”. No direito romano, “addictus” referia-se a uma pessoa nascida livre (homo liber) que, por não conseguir pagar suas dívidas, era vendida como escrava ao seu credor. Essa história etimológica revela muito sobre a natureza do vício e por que algumas pessoas se tornam viciadas (adictos) enquanto outras não.
Vício. Garota fumando e bebendo
Na Roma antiga, o “addictus” era tratado como os demais escravos pelo seu credor, conhecido como “patronus”. No entanto, diferentemente dos “sclavus” (escravos), o “addictus” mantinha uma distinção importante: sua escravidão era uma consequência de suas dívidas. O patronus possuía o direito de libertar o “addictus”, mas, mesmo quando isso acontecia, o “addictus” nunca retornava completamente à sua condição original de homem livre. Ele se tornava um “libertus”.
O “libertus” vivia uma espécie de “liberdade supervisionada”. Embora não fosse mais um escravo, ele permanecia ligado ao seu patrono, geralmente continuava a viver na casa deste, devendo um determinado número de horas de trabalho e mantendo deveres de respeito e obrigações econômicas para com o patrono. Essa relação de dependência contínua destaca a dificuldade de se desvincular completamente do patrono, mesmo após a aparente “libertação”.
É impressionante como essa antiga definição captura a essência do vício contemporâneo. Tal como o “addictus” romano, o adicto moderno, ou uma pessoa viciada, é alguém que, em algum momento, possuiu liberdade, mas agora se encontra aprisionada pelas dívidas simbólicas do vício. E assim como o “libertus”, mesmo quando uma pessoa se liberta do vício, ela continua a lutar contra os resquícios dessa dependência, ou seja, nunca se livra totalmente.
O estado atual do conhecimento científico sobre o vício mostra que o cérebro de uma pessoa viciada sofre mudanças que dificultam a capacidade de resistir aos desejos associados ao seu vício. Em muitos casos, a pessoa perde a liberdade de escolher não ceder às suas compulsões, similar ao “libertus” que nunca recupera completamente sua liberdade original.
Estudar a etimologia do vício nos proporciona uma perspectiva profunda sobre por que algumas pessoas se tornam viciadas enquanto outras não. O conceito de “addictus” nos lembra que o vício é uma forma de escravidão moderna, onde a liberdade é perdida para uma dívida simbólica e as tentativas de libertação são continuamente colocadas à prova.
Reconhecer essa analogia histórica pode ajudar na compreensão e no tratamento do vício. Saber que o vício é uma batalha contínua contra uma dependência que transforma a liberdade em uma condição de supervisão constante pode orientar melhor as abordagens terapêuticas e o apoio necessário para aqueles que lutam para se libertar.
Vício é qualquer coisa que escravize; por isso, não existe vício bom. Essa compreensão é fundamental para pensarmos em estratégias de prevenção e tratamento de adicção, ajudando as pessoas a recuperarem o controle de suas vidas e a liberdade que tanto almejam.
Fontes:
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Categorias: Sociedade
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