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Padrões de beleza matam! A recente morte do jovem empresário Henrique Silva Chagas, de 27 anos, após um peeling de fenol realizado por uma falsa esteticista, é mais um triste episódio na lista crescente de tragédias ligadas à busca pela perfeição estética. Henrique não é o único. Muitos já perderam a vida ou sofreram consequências graves em nome da beleza, seja nas mãos de profissionais falsos, inexperientes ou até mesmo dos melhores especialistas da área.
No Brasil, as mortes decorrentes de lipoaspiração são um exemplo alarmante de como o desejo por um corpo perfeito pode terminar em desastre. Nos Estados Unidos, a famosa modelo Linda Evangelista teve sua vida pessoal profundamente afetada após um procedimento estético mal sucedido, mesmo tendo acesso aos melhores profissionais e tecnologia de ponta.
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Esses incidentes levantam uma questão crucial: o que leva pessoas aparentemente perfeitas a arriscarem suas vidas para se adequarem a padrões de beleza? Por que a pressão para corresponder a esses ideais é tão poderosa que indivíduos estão dispostos a se submeter a procedimentos dolorosos e arriscados?
Os padrões de beleza impostos pela sociedade são onipresentes e implacáveis. Eles são propagados pela mídia, redes sociais, indústria da moda e cosméticos, criando uma imagem idealizada e muitas vezes inatingível de perfeição física. A pressão para se conformar a esses padrões pode ser esmagadora, especialmente para aqueles cuja aparência está diretamente ligada ao seu sucesso profissional, como modelos, atores e influenciadores digitais.
A busca pela beleza perfeita não é apenas uma questão de vaidade, mas muitas vezes está associada à autoestima, aceitação social e até mesmo oportunidades de carreira. Pessoas são constantemente bombardeadas com imagens de corpos e rostos impecáveis, o que pode gerar um sentimento de inadequação e a crença de que somente através de intervenções estéticas poderão alcançar a felicidade e a realização pessoal.
A decisão de se submeter a procedimentos estéticos, especialmente os invasivos, envolve riscos significativos. No caso de Henrique, a esteticista Natalia Becker não tinha a formação necessária para realizar o peeling de fenol, um procedimento que, segundo o Conselho Regional de Medicina de São Paulo, deveria ser realizado apenas por médicos. A falta de conhecimento e preparação adequada pode resultar em complicações graves, como no trágico desfecho de Henrique.
No entanto, mesmo sob os cuidados de profissionais qualificados, os riscos não desaparecem completamente. A lipoaspiração, por exemplo, é um procedimento popular e frequentemente realizado, mas que ainda assim apresenta um índice significativo de complicações e mortalidade. A busca pela perfeição pode cegar as pessoas para esses perigos, levando-as a subestimar os riscos em nome de uma aparência melhor.
©Dani Alejandro/Pexels
É fundamental que a sociedade reavalie os padrões de beleza que promove e a pressão que exerce sobre os indivíduos. A verdadeira beleza deve ser celebrada na diversidade, aceitando diferentes formas, tamanhos, cores e características. Precisamos promover a saúde e o bem-estar acima da aparência física e incentivar uma visão mais realista e saudável de si mesmos.
Educação e conscientização são essenciais para que as pessoas compreendam os riscos envolvidos nos procedimentos estéticos e façam escolhas informadas. Além disso, é necessário que haja regulamentação rigorosa e fiscalização sobre quem pode realizar tais procedimentos, garantindo a segurança dos pacientes.
A morte de Henrique Silva Chagas é uma tragédia que deve servir como um alerta sobre os perigos dos padrões de beleza impostos pela sociedade. Enquanto continuarmos a valorizar a aparência física acima de tudo, continuaremos a ver pessoas colocando suas vidas em risco para alcançar uma perfeição inatingível. Precisamos redefinir o que significa ser belo e aprender a valorizar a diversidade e a individualidade em todas as suas formas.
“Padrão” vem do latim “patronus”, que significa “patrono” ou “defensor”. É uma norma determinada e aprovada consensualmente pela maioria ou por uma autoridade, usada como base para estabelecer uma comparação ou como modelo a ser imitado. Sua etimologia nos ajuda a entender o quão fundamental é entender que cada indivíduo é único e não deve se submeter cegamente aos padrões impostos pela sociedade. Em vez disso, devemos nos tornar os verdadeiros patronos, patrões e defensores de nós mesmos, assumindo o controle de nossas vidas e decisões, e nos afastar da busca por uma idealização que muitas vezes é inalcançável e prejudicial a nós mesmos.
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Categorias: Sociedade
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