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O cerrado é o segundo maior bioma brasileiro – e está ameaçado pelo avanço dos interesses da agroindústria – soja e gado, especialmente. Mas, nós sequer conhecemos tudo o que tem nesse tesouro natural de flora e fauna. Só em frutos comestíveis, segundo pesquisas, já se conhecem 227 distintos.
Todos os frutos do cerrado são deliciosos – têm seu sabor concentrado pela riqueza do solo e o calor do sol em frutos que resistem à seca sem perder seu núcleo úmido e alimentício.
Mas, não só para nós, que somos da cidade e os comemos para relembrar a infância ou degustar algo mais exótico – os frutos do cerrado são absolutamente necessários para a preservação da vida no bioma.
Destes frutos vivem pássaros, mamíferos, répteis e até os insetos que ajudam na sua polinização, usufruem dos frutos maduros para nidificar seus ovos.
As populações do cerrado sabem usar também os frutos, para tratar suas dolências – sim, são medicinais em sua maioria.
Conhecer as riquezas, extremamente belas, do nosso país, é condição fundamental para que possamos assumir uma atitude socioambiental verdadeiramente sustentável.
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Araticum (Annona coriacea) – fruto típico de áreas secas e arenosas, sua casca marrom é grossa, seu interior é uma delícia de polpa suave com sementinhas lisas e pretas. Lembra, no aspecto, outras anonáceas como a pinha mas, o araticum tem o sabor do campo agreste. No pé, madura entre janeiro e março. É consumido in natura, em sucos ou doces.
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Bacupari-do-Cerrado (Salacia elliptica) – esta planta ocupa áreas mais úmidas como o vale do São Francisco, o Pantanal e algumas áreas de Mata Atlântica. É uma árvore de médio porte cujos frutos, de polpa espessa, consistente e sabor adocicado, refrescante, amadurecem entre novembro e dezembro. Consome-se in natura.
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Baru (Dipteryx alata) – baru é a castanha do baruzeiro, árvore ameaçada pela extração predatória de sua madeira. Sua castanha é rica em óleos graxos e proteínas, tem sabor que lembra ao amendoim. A castanha de baru pode ser consumida in natura, torrada, como paçoca, rapadura, pé-de-moleque e muito mais. Seus óleos são usados para fazer manteiga. Amadurece entre setembro e outubro.
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Buriti (Mauritia flexuosa) – Buriti é uma palmeira que ocorre naturalmente em muitos lugares e biomas diferentes. Seu cacho de coquinhos dourados, recheados de doçura, amadurecem entre abril e agosto. Com a polpa do buriti se faz doces diversos, é comida in natura e, fermentada, dá uma bebida que os locais chamam de vinho de buriti.
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Cagaita (Eugenia dysenterica)- cagaita é uma fruta que lembra o araçá, carnuda, azedinha, uma delícia que, no entanto, não se pode abusar, especialmente quando madura e aquecida ao sol pois, nessa condição, dá diarreia. Encontra-se madura entre outubro e novembro.
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Cereja-do-cerrado (Eugenia calycina) – um arbusto carregado de frutas vermelhas, brilhantes e saborosas, que amadurecem entre outubro e janeiro, é tudo o que você gostaria de encontrar em um passeio pelo cerrado. Com a cereja-do-cerrado se faz doces, geleias e sorvetes, fora comê-la in natura também.
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Mama-cadela (Brosimum gaudichaudii) – mama-cadela tem diversos nomes, um arbusto pequeno cujo fruto, todo enrugadinho, tem polpa fibrosa e suculenta e cujo sabor lembra o do coquinho de macaúba. É medicinal, trata vitiligo como já contamos em outro artigo nosso.
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Mangaba (Hancornia speciosa) – a mangabeira é árvore da caatinga muito comum em diversas regiões de cerrado. Seu fruto, a mangaba, é saboroso, sumarento, ligeiramente azedo e cheiroso, tudo de bom. Essa fruta pode ser consumida in natura, em geléias, doces, sorvetes e licores. O leite da mangabeira, látex que escorre de talhos no tronco e folhas, é medicinal, usado pelas populações locais para tratar tuberculose, úlcera e outros problemas. A mangaba encontra-se madura, no pé, entre outubro e abril.
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Murici (Byrsonima crassifolia) – o muricizeiro é típico dos solos arenosos do cerrado e região amazônica, árvore baixa, de tronco retorcido. O murici, seu fruto, tem uma só semente e polpa carnosa, sabor e aroma muito apreciados para geléias, compotas e doces. Em alguns lugares se faz farinha de murici. Amadurece entre fevereiro e maio.
Pequi (Caryocar brasiliense) – o pequi, fruto do pequizeiro é conhecido como o “ouro do cerrado” por sua riqueza nutricional, o aporte na culinária regional e a qualidade do óleo extraído da sua amêndoa.
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Pêra-do-campo (Eugenia klotzschiana) – essa é a fruta de Guimarães Rosa, no Grande Sertão: Veredas, a tal da limonada de pêra-do-campo também é chamada de cabacinha-do-campo, fruta suculenta, de casca fina e sabor doce-azedo, agradável e refrescante. Pode ser plantada em vaso, participa de projetos de recuperação do cerrado e se encontra, nas árvores, a partir de outubro. Boa para comer in natura, em doce ou em suco.
E, para finalizar, conheça CONHEÇA OS ANIMAIS MAIS AMEAÇADOS DO CERRADO neste artigo nosso, comemorativo do dia do cerrado, 11 de setembro.
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Categorias: Biodiversidade
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