Libertem Bella: A Solitária Beluga Encarcerada em um Shopping de Luxo em Seul


No meio da movimentada cidade de Seul, entre lojas de luxo e restaurantes sofisticados, encontra-se uma história comovente de solidão e crueldade. Bella, uma baleia beluga, vive confinada em um pequeno tanque no Lotte World Aquarium, situado no subsolo de um dos maiores shoppings da Coreia do Sul. Sua vida, marcada por uma década de cativeiro, tornou-se um símbolo doloroso da luta pela libertação animal.

A baleia beluga Bella no aquário de um shopping sendo vista por crianças

A baleia beluga Bella no aquário de um shopping sendo vista por crianças

A jornada de Bella é triste e perturbadora. Em 2013, ainda filhote, ela foi capturada no gelado Oceano Ártico, perto da Rússia. Junto com dois companheiros, Bello e Belli, Bella foi vendida ao Lotte World Aquarium, inaugurado abaixo da impressionante Lotte World Tower, a sexta torre mais alta do mundo. Desde então, Bella nunca conheceu a liberdade novamente.

A tragédia se aprofundou em 2016, quando Bello morreu prematuramente. Três anos depois, em 2019, Belli também faleceu, deixando Bella completamente só. A morte de seus companheiros teve um impacto devastador sobre ela, pois as belugas são animais extremamente sociais que dependem da interação com seus pares para o bem-estar mental e emocional.

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As mortes de Bello e Belli geraram uma onda de indignação pública. Pressionada, a Lotte Group prometeu libertar Bella, compromisso renovado em 2021. Contudo, essas promessas se mostraram vazias, com repetidos atrasos atribuídos a várias razões, incluindo a pandemia Covid-19.

Ativistas e defensores dos direitos dos animais, como o grupo Hot Pink Dolphins, têm feito campanhas incessantes pela libertação de Bella. Jo Yak-gol, representante do grupo, ressalta que Bella está demonstrando sinais claros de sofrimento psicológico, nadando em círculos e flutuando imóvel em seu tanque inadequado.

Ao The Guardian, a Dra. Valeria Vergara, co-diretora do programa de pesquisa em cetáceos da Raincoast Conservation Foundation, enfatizou a complexidade social e a alta inteligência das belugas. Segundo ela, manter um animal tão social e inteligente em cativeiro é antiético. Bella, que foi retirada de seu habitat natural ainda jovem, não aprendeu habilidades essenciais para sobreviver no oceano, como caça e migração. Assim, a única opção ética seria transferi-la para um santuário costeiro.

Apesar das declarações de intenção de Lotte World Aquarium, Bella continua encarcerada em um tanque. A empresa afirma estar trabalhando com autoridades e especialistas para planejar sua transferência para um santuário adequado, com opções na Islândia, Noruega e Canadá sendo consideradas. No entanto, essas promessas ainda não se concretizaram.

Do lado de fora da Lotte World Tower, os ativistas continuam protestando, segurando cartazes com slogans como “Libertem Bella agora!“. Eles destacam que, embora as redes sociais e a cobertura midiática tenham ajudado a manter a questão viva, ainda é necessário um esforço contínuo e coordenado para garantir que Bella seja libertada e receba os cuidados adequados.

Vídeo Beluga Bella no Lotte World Aquarium em Seul

Libertem todos os animais da exploração humana

A situação de Bella sublinha a urgência de acabar com a exploração de animais em cativeiro, evidenciando a complexidade e a sensibilidade das espécies como as belugas. Este caso serve como um lembrete contundente sobre a nossa responsabilidade para com todas as criaturas do nosso planeta. Para efetuar mudanças reais, é fundamental que promovamos um boicote abrangente a todas as formas de exploração animal, desde o aprisionamento em pequenos aquários e grandes zoológicos até a utilização de animais em circos e experimentações. Todos os animais, seja aves, mamíferos, répteis ou outros, merecem viver livres e sem sofrimento. Unindo forças contra essas práticas desumanas, podemos impulsionar a criação de um mundo em que todos os seres vivos sejam respeitados e possam prosperar em seus ambientes naturais.

Fonte e foto: The Guardian

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Daia Florios

Cursou Ecologia na UNESP, formou-se em Direito pela UNIMEP. Estudante de Psicanálise. Fundadora e redatora-chefe de greenMe.


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